Onde Você Começou a Se Abandonar (E Por Que Continua Fazendo Isso)
Não foi um dia específico.
Não teve marco. Não teve ruptura dramática.
Foi mais sutil que isso.
Foi quando você teve a chance de se escolher… e decidiu não fazer isso.
E desde então, você vem repetindo.
O autoabandono não começa com um erro. Começa com um silêncio.
Você foi se deixando.
Sem cena. Sem explicação. Sem ninguém perceber.
Você disse “tudo bem” querendo dizer “não”.
E deixou passar.
Engoliu o que te incomodou. Ficou onde já não queria estar. Aceitou menos — e chamou de suficiente.
Você evitou a conversa.
Não porque não tinha o que dizer. Mas porque sabia que, se falasse, teria que sustentar.
E você não quis.
Você não se perdeu. Você foi se ajustando até desaparecer.
Você riu quando não teve graça.
Concordou quando não concordava. Ficou em silêncio quando era pra se posicionar.
Porque era mais fácil manter tudo como estava do que bancar o desconforto.
Você começou a se adaptar.
Ao jeito do outro. Ao ritmo do outro. Ao limite do outro.
E foi diminuindo o seu.
Teve um momento em que você percebeu.
Um incômodo claro. Um “isso não tá certo”.
Mas você ficou.
Isso tem nome. E não é maturidade.
Isso é autoabandono.
Evitar conflito. Agradar no automático. Se calar como estratégia. Se colocar por último como regra.
Você chama de cuidado. De paciência. De “não vale a pena discutir”.
Mas não é isso.
É padrão.
E você sustenta esse padrão todos os dias
Toda vez que ignora o que sente.
Toda vez que escolhe não se expor.
Toda vez que se ajusta pra caber.
Você reforça.
Não foi alguém que te colocou aí.
Você permaneceu.
Mesmo vendo. Mesmo sentindo. Mesmo sabendo.
Você sabe exatamente onde começou
Não foi longe.
Foi naquele momento em que você teve a chance de se escolher… e decidiu não fazer isso.
E desde então, você repete.
Você não desapareceu de uma vez
Você foi saindo de si em partes.
Um “tudo bem” aqui. Um silêncio ali. Uma adaptação acolá.
E quando percebeu… já não estava mais inteira.
Agora a pergunta não é onde começou.
É outra.
Até quando você vai continuar fingindo que não percebe?
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