Mulheres Reais: O Manifesto de quem se cansou de tentar ser perfeita


Bem-vinda ao espaço da liberdade (e das mulheres que ainda esquecem o café na mesa).

Momento de introspecção para o manifesto da marca sobre identidade, recomeços e liberdade emocional sem culpa.


Você não chegou aqui para aprender a ser uma mulher perfeita. Sendo bem sincera, eu também não estou aqui para ensinar isso. Na verdade, a última coisa de que o mundo precisa agora é de mais uma regra sobre como ser uma mulher "bem-sucedida" ou "equilibrada".

Você provavelmente chegou até aqui porque, em algum momento da caminhada, o peso ficou evidente demais. Você percebeu que estava cansada. Cansada de tentar dar conta de tudo, de manter a casa, a carreira, a maternidade e os relacionamentos em um nível de excelência que parece exigir a anulação de quem você é. Cansada de colecionar conselhos e técnicas que explicam a vida nos mínimos detalhes, mas que, na hora do aperto, não aliviam nem um pouco o peso de vivê-la.

A corrida que nunca termina.

Por muito tempo, eu também acreditei que o amadurecimento era uma linha de chegada. Eu achava que, se eu fizesse tudo certo, se fosse a mãe suficiente, a profissional impecável, a pessoa que nunca perde a compostura, eu finalmente ganharia o direito de descansar.

Descobri, da forma mais dura, que essa corrida não tem linha de chegada. Ela é um círculo vicioso. Sempre existe mais uma expectativa para cumprir, mais uma culpa para carregar e mais uma lista de comportamentos que dizem quem uma mulher deveria ser para ser considerada "adequada".

Foi nesse cenário, entre boletos e expectativas, que uma versão minha ficou para trás. Uma versão que precisou ser silenciada para dar lugar à profissional que nunca falha e à mulher que nunca perde o controle.

Quando o controle vira prisão.

A grande virada de chave aconteceu quando eu percebi que o meu problema não era a falta de controle sobre a minha rotina. O problema era justamente o excesso de controle sobre a minha própria identidade. Eu estava tentando ajustar quem eu era para caber em espaços que não foram desenhados para uma mulher real, mas para uma personagem fictícia.

Eu entendi que não precisava de mais organização para ser feliz. Eu precisava de mais liberdade para ser quem eu sou, com todos os meus erros, mudanças de ideia e dias em que a única coisa que eu consigo fazer é respirar fundo antes de responder ao mundo.

O que esperar (e o que nunca encontrar) aqui

Se você espera encontrar aqui listas de "10 passos para mudar sua vida" ou promessas de felicidade imediata, sinto te desapontar: você está no lugar errado. Este não é um blog de fórmulas. Não vou te vender uma felicidade em sete dias e nem usar frases bonitas para esconder o desconforto que é viver na pele de uma mulher contemporânea.

Aqui nós fazemos outra coisa. Nós observamos a vida. Questionamos as regras. Sentimos o que tem de ser sentido e pensamos sobre o que quase ninguém tem coragem de falar em voz alta. Acredito firmemente que muitas das respostas que procuramos não estão em quem grita mais alto ou em quem nos oferece o caminho mais fácil. Elas aparecem quando, finalmente, fazemos a pergunta certa para nós mesmas.

Aqui, maternidade não é um apagador de mulheres. Relacionamentos não devem exigir o seu desaparecimento. Sentir não é fraqueza. E liberdade, definitivamente, não é viver uma vida sem problemas, é viver uma vida em que você não precise abandonar a sua essência para agradar ninguém.

Este espaço é para mulheres reais. Mulheres que riem alto, choram no banho, esquecem o café na mesa enquanto pensam na vida e que, aos poucos, estão aprendendo que não precisam, e nem conseguem, saber de tudo.

Sinta-se em casa. Pegue um café. Escolha um texto e leia devagar. Volte sempre que o barulho do mundo estiver alto demais. Não porque aqui existam respostas prontas para os seus dilemas, mas porque, talvez, você encontre aqui a pergunta que faltava para te devolver a si mesma.

Mulheres reais. Sem máscara. Sem culpa.

— Cimária Valentim

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